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LITERATURA NA ESCOLA
CURIOSIDADE INFANTIL
Hoje fui entrevistado pelos alunos de algumas 3ª séries do Colégio das Neves (Natal/RN).
As crianças queriam saber de tudo, desde o processo de inspiração até o processo de publicação. Queriam saber o livro que mais gosto, quanto tempo levo para fazer um livro, se é difícil publicar, dentre outras curiosidades.
Procuro sempre ter uma conversa franca e bem direta, não tentando mistificar nada. Por exemplo: tem livros que eu levo mais tempo para criar. Outros me vêm bem rapidinho. Eu gosto de escrever, considerar como acabado e reler. Aí eu verifico que tem um tanto de pequenos detalhes a serem corrigidos. É a fase de re-escrever. E essa fase pode ser um pouco mais demorada.
Quanto à publicação, expliquei para eles que às vezes um livro pode levar até 2 anos ou mais para ser publicado. O “A marreca de Rebeca”, por exemplo, escrevi em 2000 e só foi publicado em 2002. Depende muito do volume de livros que a editora está trabalhando naquele momento.
Pretendo registrar a gênese de cada um dos meus livros escritos, de como foi o processo, pois cada um teve uma motivação diferente e a sua própria história. Poderá ser interessante como memória. E me ajudar muito num momento desses, quando visito uma escola.
Escrito por José de Castro às 21h27
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POESIA ADOLESCENTE
JUDSON RODRIGO RODRIGUES
O IX Encontro Estadual do PROLER/RN trouxe-me a oportunidade de conhecer um jovem poeta, um adolescente de 16 anos que cursa o 2º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Josino Macedo, na Zona Norte da cidade do Natal/RN.
O seu primeiro livro chama-se CAROLINA e, já na capa, traz um acróstico com o nome de sua musa. É um livro sobre a perda de um amor, com poemas repletos de desilusões de um coração partido. Um livro de pouca tiragem, totalmente artesanal.
Judson foi fundo em suas emoções e cantou e decantou em cada um dos versos o seu amor perdido.
“Passam horas...
As horas se passam.
E o tempo fica.
E esta infindável solidão aumenta.
E eu fico a imaginar: como será o amanhã?
Será que as horas vão se passar e o tempo vai ficar?
Será que isto tem resposta?
Ou é melhor esperar o tempo passar...?”
Noutro poema, assim se expressa:
“Narciso, com sua beleza,
encantava ninfas do mundo todo.
Você, com seus olhos verdes, me encanta.
Narciso, cuja beleza era admirada por todos,
tinha ele o poder da beleza.
Você, com seus olhos verdes,
tenta fazer de mim um homem
esperançoso...”
Fizemos trocas de livros e de autógrafos. Judson que hoje é adolescente, aos poucos irá se transformando num adulto. Faço votos, contudo, que a sua poesia permaneça sempre com esse viço, com esse frescor e vigor de juventude. Amadureça, Judson, mas não deixe a sua poesia envelhecer.
Quanto à Carolina, como o seu próprio verso afirma, só o tempo poderá dizer. Torço por você, poeta. Vá em frente: quem sabe há uma nova musa te esperando na próxima esquina?
Escrito por José de Castro às 20h49
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SALÁRIOS E LIVROS
PROLER – Parte final
Encerrou-se hoje, com um grande sarau, o IX Encontro Estadual de Leitura e Escrita do PROLER/RN, que teve a participação da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte.
Esse encontro foi um verdadeiro encontro entre professores, autores, leitores, livros, arte, poesia, folclore: vários grupos de escolas se apresentaram, muitos livros foram autografados, muita poesia foi declamada.
Quero fazer um destaque especial: meu filho Rodrigo (9 anos) fez a sua estréia em saraus e declamou (de cor) um poema meu perante o auditório de professores. Depois ele fez a leitura de outros poemas e já estava até ficando viciado nisso, o que é um bom vício: o da leitura, o da poesia.
Foram relevantes as reflexões levantadas em torno da importância da leitura e da escrita e da dinamização das bibliotecas e das salas de aula.
É preciso, contudo, que os nossos professores leiam mais. E para isso eles terão que ter melhores salários, que lhes assegurem o direito de ter acesso aos livros.
Sentado à mesa de autógrafos de livros eu ficava observando o comportamento das professoras (creio que tinha somente um ou dois professores): chegavam, folheavam os livros com olhares cobiçosos e perguntavam o preço: tinha livro de 20, 15 e 5 reais. Elas ficavam encantadas com os livros de 15 e de 20, mas compravam apenas os de 5. Ou então não compravam nada e saíam frustradas.
Creio que três políticas sérias precisam ser empreendidas por esse Brasil afora: uma delas é a de se criar as condições para que bons livros cheguem a todos por um preço mais acessível, de maneira a favorecer o processo de democratização da leitura. A outra é a do incentivo real à criação e manutenção de mais e mais bibliotecas para todos. Finalmente, a política mais importante: respeitar e profissionalizar o professor, não só através de cursos de capacitação – que são necessários sempre -, mas através do seu bolso, representado pela atribuição de um salário justo. Um salário que garanta o alimento material e o alimento espiritual, este assegurado pela possibilidade de investir em bens culturais, como o livro. E, quem sabe, até poder comprar um computador e se aventurar pela Internet afora.
Escrito por José de Castro às 20h15
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DÍVIDA EXTERNA, LULA E FMI
Há visões controvertidas acerca do que representa o pagamento da dívida externa e de seus juros. Alguns os consideram justos e normais. Outros os consideram escorchantes, uma aberração e uma espécie de sangria nas economias da nação brasileira. Muitos acreditam que a própria dívida externa já estaria paga, tal o montante de dinheiro que já foi enviado para o exterior. Existe uma corrente a favor dos rumos que a nossa economia está tomando e tem outras que defendem uma direção totalmente oposta.
Eu não sou economista e entendo muito pouco dessa confusão toda de reais, dólares, âncoras, taxas de câmbio e coisas que tais. Nunca investi na bolsa. Mas sinto a alta dos juros no meu próprio bolso, principalmente quando tenho que rolar a minha própria dívida e lidar com os juros do cheque ouro. Tudo para mim é um mistério. A política do Lula, afinal, está certa ou errada?
Um poeta popular interpretou o porquê de o Brasil continuar seguindo à risca a cartilha dos banqueiros internacionais:
O Lula morre de medo
De que o FMI venha ao Brasil
E lhe corte o outro dedo.
É um jeito irônico de ver as coisas e até parece humor negro. Mas o poeta pode ter lá suas razões. Razões que os economistas, principalmente os economistas, desconhecem...
A verdade é que a política hoje adotada tem significado um corte mais profundo na própria carne do povo.
Escrito por José de Castro às 19h48
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POEMA DE CLASSE
HÁ LUGAR PARA O SONHO?
A queda do muro de Berlim
não significou que a miséria
dos oprimidos chegou ao fim.
Quem dera que uma mera queda acabasse
com toda a desgraça do mundo
e não houvesse mais precisão de luta de classe.
Já houve no passado outra queda, a da Bastilha.
e de lá pra cá a situação do pobre mudou pouco
e o mundo ainda não é lá essa maravilha.
Com muro ou sem muro
o desemprego ronda o planeta
e há dúvidas terríveis sobre o futuro.
Ainda resta alguma esperança?
Espero que o nosso velho novo mundo
possa um dia sorrir bonito feito criança.
Quimeras de esquerda, ou vã filosofia?
Mas não custa desenhar o sonho.
E é urgente perguntar pela utopia.
(José de Castro, Natal/RN, 25/11/04 – inédito)
Escrito por José de Castro às 23h47
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SARAU POÉTICO ESTAÇÃO DA LIRA
HOMENAGEM A EDUARDO GOSSON
Hoje, 25/11/04 o Sarau Estação da Lira, da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte prestou uma homenagem ao poeta Eduardo Gosson, um dos grandes incentivadores da literatura que se faz no estado. Ele vem coordenando há algum tempo, numa parceria com a A.S.Livros o sarau “Poéticas potiguares”, que sempre traz uma rica programação, de alto nível, com encenação de trechos das obras dos autores homenageados. Esse ano já passaram por lá vários autores importantes, como Alex Nascimento, Carlos Newton Jr., Nivaldete Ferreira, e Celso da Silveira, dentre outros. O último sarau do ano será com o intelectual Moacy Cirne.
A noite contou com a presença do poeta Américo Pita, que estava fazendo o lançamento da 3ª edição do seu livro “Cultura Nordestina – volume I: poetas repentistas nordestinos”. Ele abrilhantou a noite, mostrando a poesia gostosa que se faz no nordeste. Tive o grande prazer de fazer uma troca de livros com o poeta: autografei o “Quem brinca em serviço” e ele me autografou o dele.
Teve muita declamação de poesia e a música de Zé Martins, o presidente da SPVA/RN.
Em sua fala de agradecimento, Eduardo Gosson confessou-se de esquerda, já tendo sido militante do PCB, mas, que se encontra hoje bastante decepcionado com os rumos que a esquerda está tomando.
Aproveitei o mote e fiz para ele o seguinte poema:
HOJE A ESQUERDA É MOÇA DIREITA
(Para Eduardo Gosson)
Hoje, com clareza já se nota:
a esquerda militante de ontem
deixou, infelizmente, de ser canhota.
Entrou tanta corrente dentro
que ela saiu da extremidade
e foi habitar em pleno centro.
Aquela esquerda, bonita e verdadeira,
um chá de sumiço tomou
e parece que chegou ao fim de sua carreira.
A esquerda do passado, podia até ser imperfeita
mas não precisava se travestir tanto e ficar por aí fingindo que é uma moça direita.
Escrito por José de Castro às 23h25
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PROLER – Parte 3
A SALA DE AULA COMO ESPAÇO DE LEITURA
Na parte da tarde fiz o papel de mediador de um painel com três professoras expositoras, que abordaram o tema: “A sala de aula como espaço de leitura”. A mesa foi composta pelas professoras Sandra Borba (UFRN), Suzana Maria C. Costa (Secretaria de Educação do Estado) e Eulália Vera Lúcia Leurquim (Secretaria de Educação do Estado).
A professora Sandra Borba destacou a sala de aula como espaço privilegiado de leituras múltiplas, não só de livros, mas de outros códigos e linguagens que estão presentes na escola e na própria vida. Enfatizou a necessidade de que se respeite a cultura que o aluno traz de sua comunidade e a sua experiência de vida. Essa reflexão de Sandra Borba nos remete ao educador Paulo Freire que, em toda a sua obra, sempre falou da importância de se respeitar o educando, de se valorizar o seu universo. Isso é o que pode garantir uma leitura significativa, isto é, aquela leitura que provoca uma identificação no leitor, não sendo descolada e distante do seu repertório e do seu modo peculiar e próprio de ler o mundo.
Finalmente, a professora Borba fez questão de relembrar aos professores presentes a importância da pedagogia do exemplo: cada gesto, cada atitude, cada maneira de ser do professor em sala de aula pode afetar a vida de um aluno para a vida inteira, seja para o bem ou para o mal. O jeito de falar, de gesticular e até o olhar do professor, tudo é importante. Essa reflexão da professora me fez lembrar o escritor Bartolomeu Campos de Queirós quando afirma: “A minha primeira cartilha foi o olhar do meu pai. Às vezes é o olhar do professor que está trabalhando contra. O olhar inaugura a aprendizagem. Eu só me vejo no olhar de vocês. A minha felicidade está no olhar de vocês.” (Revista PREÁ, nº 4 – Dezembro-2003, FJA – Natal/RN)
Em seguida, aconteceu a fala da professora Suzana Costa (Subcoordenadora de Educação Especial), que destacou a importância de se respeitar as características pessoais e singulares de cada aluno, principalmente quando ele tem alguma deficiência ou dificuldade de aprendizagem. Os professores têm que buscar as estratégias capazes de incluir o aluno dentro do processo didático-pedagógico, quaisquer que sejam os tipos de deficiência apresentados. Corroborou as palavras da professora que a antecedeu na fala, ao dar um depoimento pessoal sobre a importância de uma professora em sua vida: a própria professora Sandra Borba ali presente à mesa.
A professora Vera Lúcia Leurquim falou sobre a leitura como o espaço privilegiado do imaginário. Destacou três tipos de visão e de conceitos de leitura: a visão estruturalista (do passado); a visão cognitivista, interacionista; e a visão sócio-psicolinguística (mais atualizada), que encara o professor mais como mediador. Dentro dessa última filiou Braggio e Vygotsky (1987). Discorreu também sobre a importância dos cantos de leitura dentro do espaço da sala de aula.
Houve oportunidade para perguntas e respostas. Destaco aqui uma das perguntas que foi feita: “O que dizer de crianças que passam 4 ou 5 anos nas séries iniciais sem conseguir se alfabetizar e sem terem deficiência alguma?”
A professora Sandra Borba (UFRN) respondeu à questão afirmando que, nesse caso, o problema não é mesmo de deficiência do aluno, mas sim do próprio professor e do sistema que não lhe garante as condições adequadas para o exercício de uma pedagogia de letramento capaz de superar as dificuldades muito comuns numa sociedade brasileira de exclusão de bens culturais (e de toda a natureza), que incide principalmente sobre os alunos da escola pública, os quais chegam aos estabelecimentos de ensino apresentando carências de todas as espécies: econômicas, nutricionais, culturais e até afetivas.
Esse é um dos grandes desafios que se coloca para a educação brasileira de hoje, e que precisa ser encarado seriamente: não se pode brincar de fazer educação. E uma educação séria passa pela capacidade de leitura: do mundo e dos livros, dos livros e do mundo, numa relação dialógica, como diz Paulo Freire.
O painel da tarde do dia 24/11 oportunizou muitas reflexões que podem levar os professores a trabalharem melhor e a compreenderem a importância da sala de aula como espaço de leitura. E de leitura prazerosa, significativa, contextualizada e crítica.
Escrito por José de Castro às 20h17
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PROLER – Parte 2
O QUE OS OLHOS NÃO LÊEM, O CORAÇÃO NÃO SENTE
Ainda na manhã de hoje (24/11), os professores da rede estadual pública de ensino do Rio Grande do Norte tiveram o privilégio de ouvir a palestra do professor e escritor Adriano Lopes Gomes, professor da UFRN, sobre o tema “O que os olhos não lêem, o coração não sente”. Os trabalhos foram mediados pela professora Erileide Rocha, coordenadora do Comitê do PROLER/RN.
Adriano Gomes, além de escritor é também contador de histórias e sua tese de doutorado versa sobre essa temática. Na parte da tarde, inclusive, ministrou uma oficina sobre essa arte da “contação de histórias”, com base no seu livro “A voz que vem de longe: o contador de histórias na formação do leitor”.
Adriano falou sobre o jogo dos sentidos na leitura de literatura, discorrendo sobre a leitura que acontece através dos olhos e sobre aquela que se localiza por detrás dos olhos, que é o momento em que os conceitos chegam ao cérebro e são internalizados, decodificados, somados à experiência anterior e transformados em pura fruição.
Discorreu sobre os três níveis de leitura de que fala Maria Helena Martins: leitura racional, de ordem cognitiva; leitura emocional, aquela que provoca os nossos desejos, sentimentos, que provoca empatia ou repulsa; e a leitura sensorial, aquela que envolve todos os sentidos, levando o leitor a experimentar sensações variadas: de forma, textura, cor, som e até mesmo o cheiro. Destacou a literatura enquanto discurso lúdico, como brincadeira, como um jogo da descoberta do sentido.
Falou sobre a importância de se formar o leitor crítico, aquele que, além de compreender o que lê, consegue elaborar o seu próprio discurso e transcender o próprio texto através de um processo de releitura consistente.
Em seguida fez uma explanação acerca da estética da recepção de Jauss que afirma que o texto pode produzir os efeitos de: poiesis, quando o leitor se sente como co-autor da obra; aisthesis, quando o leitor engaja-se à obra por identificação com a narrativa; e katharsis, que é o momento em que o leitor sente todo o prazer que o texto lhe provoca, levando-o a um estado de “purgação e purificação”. Esse efeito seria o mesmo de que fala Betelheim, quando diz que “o texto literário é terapêutico”.
Adriano, ao término de sua palestra, discorreu sobre a pedagogia do olhar, relembrando que “saber olhar significa identificar além do que os olhos vêem, revelar o desconhecido, ampliar a percepção do mundo, desvendar particularidades que os objetos escondem. Em resumo, saber ler é compreender o texto nas linhas e nas entrelinhas”, concluiu.
Balaio Literário destaca a citação que Adriano Gomes fez de Foucambert, quando afirma : “Ser leitor é sentir-se comprometido com seu estar no mundo e com a transformação de si, dos outros, das coisas; é acreditar que se apreende o mundo quando se compreende o que o faz ser como é.”
Oxalá os nossos professores da rede estadual de ensino tenham a sabedoria de colocar todos esses ensinamentos em prática no seu dia-a-dia na escola. E que lhes sejam dadas todas as condições para que exerçam o seu trabalho didático-pedagógico de mediadores, orientadores e incentivadores da leitura de maneira digna. E que consigam despertar em seus alunos o prazer pelo livro, entregando-lhes a chave que lhes abram plenamente essa “caixa de Pandora” que é a leitura e a escrita.
Escrito por José de Castro às 20h16
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PROLER – Parte 1
IX ENCONTRO ESTADUAL DE LEITURA E ESCRITA (24 a 26/11/04)
Hoje, pela manhã, aconteceu a abertura desse encontro com a presença do Secretário de Educação do Estado, o deputado Wober Lopes Pinheiro Júnior. O auditório Angélica Moura, na sede da Secretaria de Educação estava lotado.
Foi uma cerimônia muito bonita, em que dois professores da rede estadual fizeram uma performance muito bonita, usando a alegoria da “Caixa de Pandora”, da qual sai tudo, da morte até a esperança. Um livro pode ser comparado a essa “caixa mágica de surpresa”, de que nos fala o escritor e poeta Elias José.
O autor Marcos Cavalcante, vice-presidente da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN – SPVA, apresentou um belo monólogo sobre a morte, levando-nos a refletir se estamos mesmo vivos, ou se a nossa pedagogia está morta em sala de aula.
A apresentação desse PROLER foi feita de uma maneira totalmente diferente: o presidente da Sociedade dos Cegos do RN – SOCERN, que é deficiente visual conduziu a maior parte do cerimonial, lendo com as mãos, pelo método Braille os textos referentes ao evento. Fiquei fascinado vendo os seus dedos percorrerem a textura do papel numa agilidade de pianista, praticando uma forma de leitura totalmente “digital”, não no sentido de eletrônico, mas de dedos, de leitura táctil.
Ao mesmo tempo, uma outra professora traduzia todas as falas na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. O Hino Nacional Brasileiro também foi interpretado nessa língua.
A Coordenadora da CODESE, da Secretaria, professora Dicla Naate, destacou a importância de o professor se caracterizar como um bom leitor, e que só assim ele poderá ensinar a ler e a gostar de ler.
O Secretário Wober Júnior enfatizou que a comunidade precisa estar inserida na escola, sendo que esta tem de ser a alma do bairro.. “Pela leitura se viaja na imaginação. A leitura faz parte de um processo libertador.” Afirmou também que devemos buscar, nessa sociedade da informação e do consumo, não a vitória do mercado, mas a vitória do homem. “Nós podemos construir um mundo novo através da leitura e da educação.”, concluiu.
Escrito por José de Castro às 20h16
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MANIA DE ESCRITOR
Aonde quer que eu vá, tenho que ter sempre à mão uma caneta ou um lápis e algum suporte pra escrever, nem que seja um pequeno pedaço de papel.
Não tenho medo de uma folha em branco, aliás, é um dos meus objetos preferidos.
Numa folha em branco cabe tudo: cabe poema, cabe frase, cabe haicai... Quem sabe, até a idéia para um romance? E se for um best-seller? Nunca se sabe...
O que me causa pavor é, de repente, vasculhar todos os bolsos da calça, da camisa, olhar dentro da pochete e não encontrar sequer um papelzinho pra anotar uma idéia...
Quase sempre, a minha tábua de salvação é a capa externa do talão de cheques. Bendita sociedade de economia capitalista que socorre o escritor na hora do aperto! Não com empréstimo (esse é mais difícil, porque os juros não estão para brincadeira), mas com um simples pedaço de papel para que uma boa idéia não se perca.
Por essas e por outras, estou me exercitando para melhorar a memória. Aí poderei anotar tudo na cabeça, nos dias em que, por um lapso ou acidente, ficar sem caneta e até mesmo sem o meu talão de cheques...
Escrito por José de Castro às 07h57
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HUMOR
CAMPANHAS (SLOGANS)
Cremação: acenda essa chama.
Cemitério: enterre essa idéia.
Virgindade: deflore esse preconceito.
Televisão: tire essa mania do ar.
Aborto: mate essa aberração.
Reflorestamento: plante este conceito.
Cinto de segurança: amarre-se nisso.
Teto salarial: abrigue essa idéia.
Surf: vá nessa onda.
Campanha contra a fome: alimente essa idéia.
(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal/RN: Sebo Vermelho, 2003)
Escrito por José de Castro às 07h28
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HUMOR
EUFEMISMOS PARA MORRER DE RIR
Açougueiro não morre, desencarna.
Historiador não morre, apenas começa outra história.
Arqueólogo não morre: vira fóssil.
Escritor não morre: esgota a sua última edição.
Maestro não morre: termina o seu período de regência.
Jogador de futebol não morre. Apenas dá um drible na vida.
Juiz de direito não morre: lavra a sua própria sentença.
Professor (a) não morre: apaga o quadro-negro para sempre.
Bombeiro não morre: apaga a sua última chama.
Sapateiro não morre: bate as botas.
Ator de teatro não morre: deixa cair o pano.
Advogado não morre: perde sua última causa.
(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal/RN: Sebo Vermelho, 2003)
Escrito por José de Castro às 07h20
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HUMOR
CONJUGAÇÕES ESDRÚXULAS
Eu sou escritor.
Tu és leitor.
Ele não sabe o que é uma biblioteca.
Eu sou o ascensorista.
Tu és o elevador.
Ele é apenas o Escadinha.
Eu gosto de carne magra.
Tu gostas de carne gorda.
Ele só come pelanca.
Eu sempre durmo tarde.
Tu acordas muito cedo.
Ele vive com insônia.
Eu sou casamenteiro.
Tu és sempre paquerado.
Ele ficou no caritó.
(José de Castro, inédito)
Escrito por José de Castro às 07h12
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CRIATIVIDADE
Os processos criativos do homem são inexplicáveis. Não existe teoria capaz de ensinar ninguém a ser criativo. Contudo, existem certos artifícios que podem ser utilizados para que se furem os bloqueios que a mente costuma aprontar com a gente. Um deles é a atitude que você toma diante do problema ou desafio. Como é que você se coloca diante de alguma dificuldade? Você costuma, logo de cara dizer assim: "Eu não consigo... Isso é muito difícil... Não vou dar conta de fazer isso..." e por aí afora? Se você age assim, essa é exatamente a perspectiva menos adequada.
É necessário que você, pelo contrário, adote uma postura de acreditar nas suas possibilidades de enfrentar aquele desafio, por mais difícil que ele possa parecer. Não o torne, com suas observações negativas, mais complicado do que ele já se apresenta.
O melhor é respirar fundo, relaxar e pensar positivamente, adotando uma atitude do tipo: "- Eu vou sair dessa... De alguma forma eu vou conseguir resolver essa situação... Por mais difícil que possa parecer, eu vou dar um jeito... Tudo se resolve..."
Ou, como dizem os orientais "saltar direto dentro da chama", pois o seu centro é frio. Isso significa não ter medo do problema e encará-lo com segurança.
É bom trabalhar com a fantasia e com a imaginação e tentar visualizar situações prováveis de solução, as mais variadas possíveis... Isso vai significar ser o "aventureiro das idéias", adotar a atitude do "explorador", daquele que não teme os diversos caminhos possíveis de serem trilhados
A criatividade é exatamente essa mobilização da "força interior" que existe em cada um e que precisa apenas de um empurrãozinho e de uma atitude favorável para que ela possa florescer.
Escrito por José de Castro às 19h52
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PROGRAMA NACIONAL DE INCENTIVO À LEITURA - PROLER
PROLER
Nos dias 24, 25 e 26 de novembro estará sendo realizado no Auditório Angélica Moura, na sede da Secretaria de Estado da Educação, da Cultura e dos Desportos - SECD, um "Seminário de Leitura", coordenado pelo Comitê do PROLER/RN (Programa Nacional de Incentivo à Leitura), destinado aos professores da rede estadual pública de ensino.
A palestra inaugural sobre a importância e os caminhos da leitura, será proferida pelo escritor e doutor em Educação, Adriano Gomes, na quarta-feira, às 09:00 horas.
O Seminário constará de vários painéis discutindo a questão da dinamização e do incentivo à leitura em sala de aula, além de se apresentar e de se debater a questão das bibliotecas escolares e comunitárias.
Oportunizará também encontro dos leitores (participantes do Encontro) com diversos autores, tanto pela manhã quanto pela tarde. Na 5ª feira à tarde estarei junto com Adriano Gomes participando de uma tarde de autógrafos às 15h30, ocasião em que falarei sobre os meus livros "A Marreca de Rebeca" (poemas infantis); "Quem brinca em serviço - textos de humor"; "Antologia Literária - vol. 3 - SPVA/RN" e sobre vários livros de poemas infantis ainda inéditos como: A gruta dos morcegos birutas, Mar de Poesia, O Circo chegou, A cozinha da Maria Farinha. Falarei também sobre minha produção de livros para adolescentes: "Dicionário Engraçado: reflexões de um adolescente" (prosa) e "Ópera dos Gatos", peça teatral infanto-juvenil, também inéditos.
Na sexta-feira, dia 26, será a vez de se debater as "Leituras Potiguares", projeto que distribui fascículos sobre a cultura do Rio Grande do Norte junto às escolas da rede estadual pública de ensino. Haverá também tarde de autógrafos com alguns dos autores dos fascículos, dentre eles Tarcísio Gurgel, escritor e crítico literário, professor da UFRN.
Escrito por José de Castro às 21h23
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PEÇA DE TEATRO INFANTO-JUVENIL
ÓPERA DOS GATOS
No dia 29/11/04, às 18:oo h, 2a. feira, no Colégio das Neves, será encenado um pequeno trecho da minha peça de teatro infanto-juvenil "Ópera dos Gatos", que é um texto quase todo em versos livres (mas que têm ritmo e às vezes rimas). Nessa ocasião serei homenageado como autor do livro de poemas infantis "A Marreca de Rebeca", ali adotado.
A peça "Ópera dos Gatos" conta a história de uma gata manhosa que quer se casar e cria um site na Internet para que gatos de todas as partes do Brasil e do mundo se candidatem ao seu coração. Mas ela é perfeccionista e exigente, sendo difícil encontrar alguém do seu agrado. A peça tem muitos momentos musicais, vários conflitos de "amores felinos" e um "grand finale", com dois casamentos de gatos, ao som de uma sinfonia especial para o momento. Tem também desafios de viola e é um texto muito engraçado.
O trecho escolhido para ser encenado pelos alunos do Colégio foi o de um "flash-back", quando Augusto, o Gato Maluco relembra a sua encantadora Vovó Esmeralda, uma velha gata contadora de histórias, lendo algumas histórias engraçadas de gatos de vários tipos antes de ele ir dormir. Quem, em sua infância, nunca teve alguém para ler historinhas na cama, para atrair o sono de maneira leve e gostosa? Será essa a situação representada.
Os ensaios já começaram, sob a responsabilidade do professor Jorge Eduardo, responsável pelo setor de teatro do Colégio, o qual já montou vários espetáculos de qualidade e com sucesso.
Espero conseguir apoio para que a peça, brevemente, possa ter a sua estréia, com a encenação do seu texto completo, com figurinos, cenários, músicas e tudo o mais que for necessário, com um grupo de teatro que leve a sério a arte de representar... principalmente quando a peça for bem humorada, como é o caso da "Ópera dos Gatos".
Escrito por José de Castro às 21h00
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PARA MEDITAR
"O ANJO DO DESAPEGO"
"O maior ato de desapego é soltar o passado e as preocupações com o futuro e viver no momento presente. Quando fazemos isso concentramos nossa atenção e energia e não nos desvitalizamos com críticas, comparações e julgamentos. O desapego nos libera da culpa e do arrependimento, que são um grande desperdício de energia. No momento presente, não precisamos possuir ou perder nada.
REFLEXÃO: "Minha vida é perfeita aqui e agora."
(Extraído do livro: Meditando com os anjos. São Paulo: Pensamento)
Escrito por José de Castro às 20h44
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LITERATURA INFANTIL
NOVA VERSÃO DO “A COZINHA DA MARIA FARINHA”
Acatando uma sugestão do Leo Cunha (escritor mineiro, autor dos Poemas Lambuzados, dentre outros livros de poemas infantis) e da poetisa Lisbeth Lima de Oliveira (autora de Dormência e Felice), resolvi dedicar um livro inteirinho só para a Maria Farinha. Aproveitei a sugestão da Lisbeth e criei várias receitas para a Cozinha da Maria Farinha.
Tem receita de pirão, pé-de-moleque, doce de mamão e comentários sobre pratos, incluindo a culinária natural. E situações engraçadas que envolvem os amigos da Maria Farinha. Tudo em poemas. A Lisbeth leu e achou interessante. A opinião de uma poeta de qualidade como ela, para mim, pesa muito. Agora resta aguardar a coragem de alguma editora para investir, publicando a obra.
O livro anterior em que o poema A Cozinha da Maria Farinha estava inserido vai mudar de título (ainda estou escolhendo, com a ajuda do Leo Cunha e de outros amigos). Todos os poemas são dedicados a seres do mar. A princípio eu havia pensado em deixar o título “Poemas de mar”.
Mas, têm outras idéias no ar, aliás, no mar... como Poemares encantados; Poesia no mar; Poemas do mar encantado, dentre outros, inclusive um título mais longo: “Serra, serra, peixe-serra e vem poemar”... Brevemente terei que decidir o que fica mais adequado e mais sugestivo...
Escrito por José de Castro às 23h58
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