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DOIS HAICAIS
Restou da breve chuva
no domingo um respingo
na mão da estátua viúva.
Uma nuvem que se esgarça
ao vento que passa lento
tem a forma de uma garça?
LUIS CARLOS GUIMARÃES (1934-2001)
(extraído de “O fruto maduro”. Natal: Fundação José Augusto, 1996)
Escrito por José de Castro às 22h31
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REFLEXÕES DA MADRUGADA
“Não se deixem afetar pelas aparências; elas são por si mesmas inofensivas.”
“Nós é que aceitamos ser feridos”.
“Sem luta, nenhum progresso e nenhum resultado. Cada ruptura de hábito produz uma mudança na máquina.”
Palavras de Gurdjieff (mestre russo, que “transcendeu” em 1949)
Escrito por José de Castro às 00h08
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POEMA
AR LIVRE
A menina translúcida passa.
Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.
Brilha em sua narina o coral do dia.
Leva o arco-íris em cada fio do cabelo.
Em sua pele, madrepérolas hesitantes
pintam leves alvoradas de neblina.
Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.
É apenas o vento que vai levando seu corpo pelas alamedas.
A cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro.
E quando para na ponte, as águas todas vão correndo,
em verdes lágrimas para dentro dos seus olhos.
(Cecília Meireles, de “Retrato Natural”, in Nossos Clássicos 107, Cecília Meireles, Poesia; org. por Darcy Damasceno – 2a ed. Rio de Janeiro: Agir, 1982.)
Escrito por José de Castro às 18h54
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MINI-CONTO INACABADO
Era uma moça muito bonita, chegou sem avisar e foi logo entrando.
Eu fiquei meio surpreso com a hora da visita, pois não estava devidamente preparado para uma coisa daquelas.
Minha casa estava entulhada de papéis velhos, documentos burocráticos, antigos projetos engavetados em velhas gavetas emboloradas pelo tempo. Idéias velhas, já quase caducas estavam sentadas na poltrona da sala.
Ela olhou-me com serenidade, como alguém que me conhecia há muito tempo. A cor dos seus olhos eram indefiníveis, mas eram belos olhos, profundos e meigos.
Perguntou-me se poderia se sentar.
Eu fiz um esforço, empurrei algumas pastas carcomidas de cupim e abri um pequeno espaço entre duas molas que já ameaçavam furar o assento.
Ela instalou-se sem maiores comentários e eu achei tudo muito estranho.
Como pode? Essa confusão toda e ela assim tão tranqüila?
Na minha cabeça, ela me parecia alguém especial e que merecia um espaço melhor, mais bem cuidado... Ela precisava ser tratada à altura. E por que, entre tantas pessoas, ela escolhera visitar alguém como eu, um ilustre desconhecido? O que ela tinha visto de especial em mim?
Pensei em lhe oferecer um cafezinho, quem sabe um chá... Mas, nada disso eu tinha...
E elacontinuava ao meu lado, sorrindo, sem se importar com aquela confusão toda.
Súbito, um rato passou correndo pelo ambiente e eu, mais que depressa saí correndo atrás dele, tentando acertá-lo com o meu chinelo. Parei subitamente quando ouvi uma sonora gargalhada...
Pensei que ela estava rindo de mim. Mas não... Continuava tranqüila e brincava com as molas da poltrona, como se fosse uma criança. Só aí notei que havia um outro personagem naquele recinto. Vocês conseguem imaginar quem era? Pois tentem adivinhar... Senão a história vai travar...
. - continua... se alguém ajudar -
Escrito por José de Castro às 20h20
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POEMA IMPOSSÍVEL
A flor tem o seu perfume
como o poema tem a doçura da palavra
ou a aridez ferina de um espinho.
Às vezes se ancora no lirismo a poesia
e se multiplica em ritmos e rimas.
Outras vezes, desmetrificada
e bêbada
inebria o olhar mágico
do leitor.
Aquele que lê para além dos olhos.
Com a alma e o coração
a estrofe se completa.
O poema do impossível faz o verdadeiro poeta.
(José de Castro)
Escrito por José de Castro às 00h26
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ENCONTRO REIKIANO
Na noite de 2ª feira, 29/11, tivemos um encontro Reikiano na casa da mestra Rejane Franco, com a presença de uma "grande família" de pessoas com níveis diferentes de graduação nessa energia maravilhosa. Foi feito um ritual muito bonito, através do qual a energia Reiki pode fluir, com uma canalização especial sob a proteção do Arcanjo Gabriel.
Pudemos, irmanados, vibrar pela paz mundial e desejar que o nosso Planeta Terra possa ser melhorado pelas energias sutis canalizadas através do coração de todos aqueles que acreditam que a evolução da humanidade é possível. Apesar de tudo... Cada um de nós tem uma determinada missão a cumprir... Vamos vivê-la com alegria, dando o melhor de nós em tudo o que fizermos. Em tudo, colocar o coração e a alma. Até na literatura... Por que não?
Escrito por José de Castro às 00h20
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HOMENAGEM
No dia 29/11, 2ª feira, fui homenageado no V Sarau Lítero-Cultural do Colégio das Neves, onde meu livro infantil "A Marreca de Rebeca" foi adotado no ano anterior. Nesse ano fui entrevistado pelos alunos das 3as. séries do Ensino Fundamental, que gostaram muito de conhecer meus novos poemas infantis inéditos, sendo que os que fizeram mais sucesso foram os poemas do "Mar de Poesia" e do "A cozinha da Maria Farinha".
Essa homenagem teve um sabor especial, pois um dos outros homenageados foi o artista múltiplo (pinta quadros em várias técnicas, faz murais e escreve muito bem), nada mais nada menos do que Dorian Gray. Para mim foi muita alegria e emoção estar ali ao seu lado recebendo todo o carinho das crianças, que declamaram nossas poesias.
Tive o imenso prazer em autografar livros para algumas crianças, sendo que num dos livros eu fiz uma dedicatória especial para esse grande artista potiguar Dorian Gray, para que ele prossiga, com seu importante trabalho de reinvenção da cultura norte-riograndense.
Escrito por José de Castro às 00h11
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CRIATIVIDADE
OS QUATRO PAPÉIS
Em nossa vida, principalmente no mundo das idéias e na busca de propostas para a solução de problemas, devemos procurar exercer quatro papéis importantes:
O primeiro deles é o de AVENTUREIRO DAS IDÉIAS. O aventureiro é o explorador, aquele que não tem medo de errar e que busca diversos caminhos. Diante de um problema ou de qualquer desafio, procura ver a situação através de todos os seus ângulos. E não tem medo de propor uma solução diferente, inusitada. Então, ele vai se abrir a inúmeras possibilidades de solução, tendo tem diante de si várias alternativas.
Aí ele vai exercer o segundo papel importante: o de JUIZ DAS IDÉIAS. Ninguém deve ter atitudes preconcebidas e fazer julgamentos apressados. Primeiro é preciso que se reúnam todos os dados relativos àquela situação ou desafio. Mas como você já exerceu o primeiro papel, o de AVENTUREIRO, idéias para serem julgadas é o que não lhe falta. E você vai, então, buscar exercer um julgamento equilibrado e coerente, para selecionar a melhor idéia, dentre tantas que você conseguiu imaginar.
Escolhida a idéia, você vai passar para o exercício do terceiro papel: o do ARTISTA DAS IDÉIAS. Muitas vezes uma boa idéia fracassa porque é mal apresentada, porque a pessoa não soube vendê-la direito. Vamos enfeitar as nossas idéias, destacando-lhes o brilho, mostrando todas as suas nuances de maneira atraente. Se for um projeto, vamos colocar uma capa bonita, vamos procurar uma boa formatação, uma diagramação atraente, com ilustrações. Assim, poderemos vendê-lo melhor. Ter uma percepção estética da vida é colocar beleza em tudo o que se faz e significa ser um verdadeiro ARTISTA DAS IDÉIAS.
Agora vem o último papel que precisa ser exercido: o do GUERREIRO DAS IDÉIAS. O guerreiro é aquele que luta e defende a sua idéia, divulga-a e quer vê-la colocada em prática. De nada adianta uma boa idéia se ela ficar engavetada. Não terá nenhum valor para a vida de ninguém. O guerreiro das idéias é aquele que consegue transformar os seus sonhos em realidade. E, colocando suas idéias em prática, poderá servir aos seus semelhantes e tornar o mundo melhor.
Que tal, então, daqui pra frente você colocar em prática esses quatro importantes papéis?
Escrito por José de Castro às 20h11
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CARTA ENTRE POETAS
Minha amiga e poetisa Iracema Macedo autorizou-me a publicar aqui no Balaio Literário a carta que ela endereço ao poeta Affonso Romano de Sant’Anna, em razão do lançamento do seu último livro “Paixão Completa”.
“Pequena carta aberta ao poeta Affonso Romano de Sant'Anna
Ouro Preto, 28 de novembro de 2004
Affonso,
Assim em um domingo nublado e quieto, nessa cidade pacata do século XVIII, leio seus versos. Leio em uma "casa cheia de raízes" porque há amor. Ontem mesmo havia uma aranha na sala e há plantas e pássaros livres habitando por aqui. No subterrâneo da casa ao lado, há uma mina por onde os escravos iam desaparecendo pouco a pouco "estranhamente", talvez por motivos diversos dos "desaparecidos" de 64 ou mesmo por motivos muito parecidos com os dos desaparecidos de hoje. Leio seus versos, dividida, entre a vergonha desse país e o êxtase que há nele. País em que todos nós acabamos agora por ser uma espécie rara de suicidas, pois é "acidentalmente" que continuamos vivos onde são lei as mais "variadas mortes", em todos os sentidos. Mas seguimos "estraçalhados de amor" porque queremos a vida e o gozo e o desejo de sempre ler e reler poetas como você. Lentamente irei desfiando os fios da sua "Paixão Completa", desse amor que não acaba, nessa sua "gaia ciência", nessa arte de amar "todas" em um único/múltiplo corpo amado. Vamos seguindo inteiros entre "pernas esplêndidas" querendo "as intermináveis bodas", porque essas, sim, não acontecem somente com os outros e nos dão o intenso encanto dos funâmbulos e das fadas. Iracema Macedo ( Autora de "Lance de dardos" e "Invenção de Eurídice")”
Escrito por José de Castro às 20h08
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