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O que é isto?
Balaio Literário
 

HOMENAGEM E GRATIDÃO

Ontem, dia 17/12/04, foi um dia muito especial para mim como pai. Um dos meus filhos, o Felipe Emmanuel, defendeu sua dissertação de Mestrado em Engenharia Elétrica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.

Foi aprovado e distinguido com o conceito A, que é o mais alto.

Esse é apenas o começo de uma longa jornada, com um doutorado já se descortinando no horizonte.

Emocionado, dei-lhe de presente um dos meus livros de cabeceira, um livro que fala de "transformação". Mas, são lições apenas para o Felipe relembrar, pois noto que ele já aplica, na prática, muitas dos conceitos espirituais ali contidos em parábolas sufis.

E na vida, é sempre bom estar atento, nunca se descuidar. Como diz Cecília Meireles: "Hoje desaprendo o que tinha aprendido até ontem e que amanhã recomeçarei a aprender".

Meu coração está pleno de gratitude. Só por hoje, sou grato por tudo o que recebo.



 Escrito por José de Castro às 12h04 [] [envie esta mensagem]



POEMA DE CONFRATERNIZAÇÃO

AS DUAS MARIAS CECÍLIAS

 

 

É tão gostoso

sentar entre duas Marias,

duas Marias Cecílias:

rompem o isolamento

e transformam ilhas

em arquipélagos de emoção e sentimento.

 

Duas Marias Cecílias,

duas dádivas de Deus, duas maravilhas.

 

O coração

dispara alegrias, imenso sorriso

e percorre serenas trilhas.

 

Nessas duas Marias,

no olhar puro de duas Marias Cecílias,

decerto

Tu, Graça Divina, neste Natal,

intensamente brilhas!

 

(José de Castro, Natal/RN, 17/12/04,  confraternização dos servidores da DATANORTE)

 

Este poema é uma homenagem a duas meninas lindas, que se chamam Maria Cecília. Na confraternização, coube-me sentar entre elas, que são filhas do Artur (Chefe de Gabinete) e do Dr. Figueiredo (Diretor Administrativo e Financeiro) da Companhia. Foi, para mim, uma feliz coincidência, uma vez que sou apaixonado por outra Cecília, a Meireles, que é minha mestra da poesia.



 Escrito por José de Castro às 11h54 [] [envie esta mensagem]



O RAIO DA SILIBRINA

Hoje aconteceu o lançamento do livro “Os Martelos de Trupizupe”, de Bráulio Tavares, no shopping Seaway, Natal/RN.

 

Bráulio Tavares é escritor, compositor e autor teatral, nascido em Campina Grande – PB. Vive no Rio de Janeiro desde 1982. Compôs várias músicas que viraram sucesso, principalmente na voz de Elba Ramalho, como a polêmica canção “Nordeste Independente”.

 

O livro hoje lançado recebeu um tratamento gráfico muito bonito das Edições Engenho de Arte (Natal/RN),  utilizando-se de figuras variadas e bem sugestivas, que lembram um baralho de Tarô,  demarcando as temáticas tratadas pelos poemas.

 

O autor, noutras obras, perpassa todos os gêneros literários: romance, conto, poesia, ensaio, teatro, humor e cordel, muito cordel, dominando-os com maestria e uma verve toda especial.

 

Sua escrita é como um farol jorrando luz em todas as direções, criando imagens fantásticas, míticas, agudas e que estabelecem conexões entre a realidade e a fantasia, de maneira instigante, ferina e cativante. Assemelha-se a cascata, cachoeira, corisco, “relampo” e ele mesmo se intitula o “Galo de Campina, Trupizupe, o Raio da Silibrina.”

 

Balaio Literário publica uma das estrofes do poema “Meu nome é Trupizupe”, em martelo agalopado, que é um tipo de poema popular de decassílabos, com estrofes de dez versos. Algumas rimas vêm em paralelo, ora se entrecruzam e mais na frente podem se repetir. É uma estrutura muito rica, bonita, mas que se torna num verdadeiro desafio para qualquer poeta.

 

“Sou o bote da cobra caninana

sou dentada de tigre enraivecido

sou granada que solta um estampido

que se escuta por mais de uma semana...

Sou ferrão de abelha italiana

sou a bala que acerta o mei da testa

sou incêndio que arrasa floresta

sou a bruta explosão da dinamite:

sou micróbio feroz da meningite

liquidando com gente que não presta.”

 

(Bráulio Tavares, in Os martelos de Trupizupe. Natal: Engenho de arte, 2004)

 

 



 Escrito por José de Castro às 00h42 [] [envie esta mensagem]



RELENDO CECÍLIA MEIRELES

Releitura do poema de Cecília Meirelles “A arte de ser feliz”

 

Esse trabalho foi realizado por João Batista Santos do Nascimento, aluno de Arte, do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professora Lia Campos, turma M5, matutino.

 

Os trabalhos de  releitura foram supervisionados pela professora Beatriz Nunes de Oliveira, licenciada em Educação Artística – Desenho, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

 

A ARTE DE SER FELIZ (releitura)

 

Houve um tempo em que minha janela se abria para uma cidade que parecia ser feita de giz.

Era uma época em que se podia até dormir de portas abertas.

Uma época de muita fartura na pesca e na agricultura. Logo cedo, antes do sol raiar, às vezes abria a janela e ficava observando as pessoas passarem e cumprimentando uma a uma, desejando a todos um bom dia, ou mesmo um olhar e acenando com as mãos.

Todos se conheciam, pareciam ser irmãos.

Às vezes abro a janela, olho, vejo pessoas passando rapidamente, parece que estão sempre atrasadas, não olham nem para a gente.

Ás vezes abro a janela, olho para o céu, parece que está tudo tão bonito escuto aves cantando, o som de um avião que passa no alto.

Às vezes abro a janela, parece que estou sozinho, vejo grades à frente do muro, tão perto que nos tira a visão, só para acharmos que estamos livres da violência causada por pessoas sem consciência.

Ah!!! Se voltasse a época em que se podia dormir de portas abertas...

 

João Batista Santos do Nascimento

aluno



 Escrito por José de Castro às 13h12 [] [envie esta mensagem]



RELEITURA DE POEMA - 2

Releitura do poema de Cecília Meireles “A arte de ser feliz”.

 

Esse trabalho foi realizado por Abnoan Alves, aluno de Arte, do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professora Lia Campos, turma M5, matutino.

 

Como os demais alunos, contou com a supervisão da professora Beatriz Nunes de Oliveira, licenciada em Educação Artística – Desenho, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

 

CONTRADIÇÕES

 

“Tempo em que minha janela não pode ser aberta para a rua, sem que nela tenha grades e alarmes.

Tempo que jardim precisa ser cercado.

Tempo em que vejo minha casa e ela mais se parece um manicômio judiciário.

Tempo em que as pessoas dizem: “não farei porque os outros não fazem, e pouco e sozinho, não adianta”. Eu vejo tudo isso e meu coração fica completamente triste.

Tempo que o pobre, o mendigo são vistos como marginais.

Tempo em que minha filhinha me diz: “Eu não consigo ver maldade em ninguém, papai!”.

Tempo em que eu – pregador da paz -  digo: “Eu não consigo confiar em ninguém!”.

Tempo em que os blindados, as bombas, os fuzis, as metralhadoras e os criminosos são elementos da conquista da paz.

Eu vejo tudo isso e me sinto profundamente triste.

Tempo em que se eu abrir as duas janelas da vida e olhar o jardim, suas flores, as nuvens, as crianças indo para a escola, os pardais, os gatos, as borboletas, os marimbondos, o galo que canta, o avião que passa, verei que tudo está certo no seu lugar, e que a paz ainda existe. Ela está diante das nossas janelas, tão somente devemos vê-la com os olhos do coração.

A felicidade e a paz são coisas simples, sem mistério, porém os humanos complicam tudo.”

ABNOAN ALVES

aluno



 Escrito por José de Castro às 10h50 [] [envie esta mensagem]



POEMA COMENTADO

A ARTE DE SER FELIZ

Cecília Meirelles


Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando
com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem,
para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
 e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos,
sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas,
como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem
diante da minha janela,
e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar,

para poder vê-las assim.

 

Análise realizada por Bento Ferreira, aluno de Arte do Centro de Educação de Jovens e Adultos Profª Lia Campos – Natal – RN, sob a orientação da professora Beatriz Nunes de Oliveira.

 

“A autora faz alusão a uma cidade imaginária que, embora tosca, tem suas belezas naturais a serem observadas e apreciadas por espíritos desprendidos de apegos a conceitos predefinidos do belo. Ela vê o “belo” nos atos mais simples e rotineiros do dia-a-dia das pessoas, objetos e animais. Sintetiza em sua sensibilidade poética, com as palavras que descrevem esta bucólica cidade, ao mesmo tempo em que leva o leitor a viajar nas asas de sua imaginação.

A janela a que se refere a autora é a porta do nosso inconsciente que busca a liberdade de ver com os olhos do coração e transformar, até mesmo, as coisas que parecem tristes e desoladas no mais “belo” quadro que seus olhos já contemplaram. E isto só é possível se movido pelo mais sublime sentimento humano, o amor.

A paixão que deixa transparecer no poema reflete um momento feliz e de intensa paz que ora reina no mais profundo do seu eu, e que está ao alcance de todos.

Ao escrever “mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem...” fala das coisas subjetivas que todos vivem, mas poucos percebem, não por falta de sensibilidade, mas, por não haver despertado para o belo que há em cada “janela” humana, aberta para a vida, no mais singelo da alma.”

 

Bento Ferreira - aluno

 Escrito por José de Castro às 23h03 [] [envie esta mensagem]




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