A LÍNGUA DOS ANJOS
PARA LUCIANA MELO
Eu não queria dizer nada hoje.
Mas fui provocado e obrigado a romper o silêncio.
Fiquei extasiado diante do vôo de um colibri.
Senti-me sugando o néctar de uma flor.
Pensei-me borboleta passeando por jardins infinitos.
Me senti efêmero.
Eterno e profundo.
Cachoeira e remanso.
De repente eu era duas margens que queriam se expandir para dentro e se fundirem em seixo rolando em rio denso.
De repente voltei a ficar mudo.
De espanto.
De dor e impotência diante de tantos caminhos que existem.
E da pequenez dos pés para caminhar.
Eu vi a ponta da varinha de condão da fada a jorrar verbos de luz.
Acreditem: eu vi estrelas riscarem as páginas do livro sagrado que alguém escreve.
Na solidão da noite, um teclado mágico reinventa um mundo distante
e próximo ao mesmo tempo.
Inventa a dor e o riso.
Inventa tudo, menos a indiferença.
O brilho da palavra é corisco no escuro da noite.
Ainda mais que isso: acende a esperança no peito sofrido dos que nada têm senão esse dom de falar a língua dos anjos.
A poesia é esse dom que pode transluzir um mundo diferente.
Eu ouvi uma voz lá dentro de mim, que dizia “trago nas mãos um raio de sol para te dar”.
Eu chorei.
E chovi sobre o papel lágrimas de pura alegria.
Um arco-íris se fez do nada.
Uma aliança muda se estabeleceu entre a mente e o coração.
O sonho ainda não acabou e muita coisa ainda é possível para os que têm coragem e ousadia de se aventurar.
Sempre é tempo de se escrever mensagens. Sempre é tempo de se tentar a palavra que falta.
Sempre é tempo de ler e reler os amigos, espalhados pelo planeta, e ao mesmo tempo unidos pelo verbo, comungando ideais de expressão máxima, de sentimento profundo de comunhão, de êxtase, puro êxtase de existir e de saber que os sinos de Natal já estão ecoando. Melodias sagradas já se prenunciam. Os anjos pisca-piscam feito pirilampos anunciando.
Anunciando que o paraíso está ao alcance apenas de uma palavra.
Aquela palavra mágica, escondida, fugidia, sorrateira, silenciosa.
Que alguém vai conseguir ecoar para os quatro cantos do planeta em gloriosa canção.
Em algum lugar distante-perto esta palavra será revelada.
Eu acredito mesmo que ela já foi dita.
Mas poucos deram-lhe atenção.
Outros pensam que tudo é apenas uma brincadeira cósmica de algum deus mítico.
Mas a verdade é que a palavra mágica existe e está ao alcance de qualquer um.
Desde que...
Mas isso já é uma outra história.... ou lenda... ou fantasia da mais pura imaginação.
"Ainda que eu falasse a língua dos anjos, se não tivesse o AMOR, de nada adiantaria." (Apóstolo Paulo)
UM NATAL PLENO DE AMOR PARA TODOS. E QUE O ANO VINDOURO REACENDA AS ESPERANÇAS DE UM MUNDO MELHOR EM CADA CORAÇÃO.
Escrito por José de Castro às 00h21
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CONFRATERNIZAÇÃO SPVA/RN
Ontem, dia 18/12/04, tivemos a nossa costumeira reunião da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte, que é realizada todos os sábados, a partir das 16h30. O auditório da Capitania das Artes teve meia lotação, mas muita poesia rolando, de todos os gêneros. Houve declamação de muita poesia popular, principalmente através da voz mansa do poeta Américo Pita, trazendo um belo poema sobre uma criança pobre que questiona a distribuição de presentes pelo velho Noel, que agracia os ricos com belos presentes e para ele nada traz.
Aproveitando a deixa, outros se manifestaram trazendo mensagens poéticas referentes ao período natalino que já estamos vivendo.
De improviso, escrevi e declamei os seguintes versos:
O NATAL PERFEITO
O Natal pra ser perfeito
não basta ser cultivado no conceito
e nem somente trazer
à boca da criança o sabor do confeito.
Não basta ter Papai Noel
e sinos tocando o “Jingle bell”,
ou mesmo árvores enfeitadas de pisca-pisca
imitando estrelas no céu.
O Natal, pra ser belo e perfeito,
precisa ter algo
que é sagrado dever e um direito:
trazer um sentimento profundo
irradiado lá no fundo do peito
espalhando-se por todo o mundo
feito a pedra brilhante do amor incondicional.
Assim é o amor do Cristo:
gera paz, harmonia e constrói
em cada um de nós o verdadeiro e perfeito Natal!
(José de Castro)
Depois das declamações fomos até a nova sede da Sociedade e lá pudemos conversar e fazer um balanço rápido sobre o que foi a atuação da SPVA durante o ano de 2004. O Presidente Zé Martins enfatizou as conquistas institucionais referentes ao reconhecimento de “utilidade pública”, nos âmbitos municipal e estadual. O jornalista Mery Medeiros destacou a atuação de Pedro Grilo, Arlete e Jânia Souza. O poeta Alexandre Abrantes também falou sobre a importância da SPVA. Hilda Furacão, uma das nossas poetisas teve uma fala emocionada, considerando a SPVA como a sua verdadeira família.
Eu destaquei os nossos esforços para manter as publicações das Antologias Literárias (já publicamos 3 e estamos preparando o volume 4) e o recente contato com o produtor cultural Sergio Viana que está nos abrindo as possibilidades de atuação nas cidades do interior do Estado através do “Circo da Luz”, realizando Oficinas Literárias e Saraus para as comunidades do interior.
Foi uma tarde-noite bonita na Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte, confirmando: a poesia está mesmo viva entre nós. Viva!
Escrito por José de Castro às 12h32
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