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A VIRADA DO ANO NOVO
ANO NOVO
Daqui a pouco, a menos de duas horas, estaremos com o ano de 2005 chegando com todo o seu fulgor, com todo o brilho dos fogos, mas, principalmente, com o aquecimento dos corações de toda a humanidade em ondas fraternas de luz, amor e paz e cura para todo o Planeta.
Precisaremos, no ano vindouro, estarmos mais em sintonia com os sentimentos de união, de colaboração, de cooperatividade e de afinarmos a nossa sensibilidade para tudo aquilo que realmente vale a pena. Nossas lutas precisarão ter alvos mais certeiros, mais leves, mais tranqüilos, longe das ansiedades, das correrias, dos estresses e das depressões.
A compreensão do outro vai depender da nossa capacidade de olhar para o íntimo de nós mesmos e descobrirmos em nossos corações a luz própria, e nos aceitarmos do jeito que somos. Mas que tenhamos a capacidade de elevar nossos pensamentos em gratidão pela vida, pelo ar que respiramos, pela água que bebemos, pelos alimentos que ingerimos, sobretudo aqueles que vêm do ventre da nossa Mãe Terra.
Cada um de nós vai precisar fazer um esforço adicional para trazer mais paz ao mundo e menos violência. Mais tolerância e menos ódio. Mais capacidade de aceitar o outro e de não querer controlar e nem julgar. Desenvolver a capacidade de ganhar o pão honestamente, com dignidade.
Precisaremos fazer a nossa alma vibrar em sintonia com os mais puros sentimentos de renovada alegria pelas bênçâos recebidas do Pai Infinito, pela possibilidade de sermos úteis ao nosso próximo, pela capacidade de doarmos amor incondicional a todos aqueles que estão próximos ou mesmo distantes, para todos aqueles que sofrem alguma restrição em suas vidas, para que sejam consolados e consigam dar a volta por cima, descobrindo os caminhos de sua libertação. Seja do que for, um vício, uma dificuldade, um desamor, um desencontro, uma infelicidade de qualquer natureza. Tudo isso poderá ser superado se guardarmos os preceitos sagrados de uma existência que pretende ser vivida em plenitude, em inteireza, afinada com princípios éticos de solidariedade com todos, e plena de fé. Fé na nossa capacidade de realizar todos os nossos mais puros sonhos.
Sobretudo que tenhamos a coragem de acordar, de despertar para uma nova vida que pode ser construída no agora, no momento presente, a cada instante sagrado da nossa existência.
Que o Ano de 2005 nos traga mais arte, mais poesia e mais inspiração. Mais sensibilidade para a leitura das trilhas que precisam ser desbravadas, para um caminhar seguro, mesmo em situações adversas. Que a coragem e o espírito de aventurar-se por horizontes novos seja uma constante em nossa vida. Que o Amor seja o nosso lema. Mas o Amor que sabe perdoar, que compreende e que engrandece e envolve o outro de maneira completa, sem impor restrições, sem qualquer estabelecimento de condições. Que o Amor Incondicional desabroche e emane do coração de cada um de nós.
Um Ano Novo assim nos fará mais humanos e nos transformará, ao mesmo tempo, em seres mais próximos da Luz e do caminho da verdade, portanto mais divinos, mais semelhantes ao nosso Criador.
FELIZ 2005 PARA TODOS!
Escrito por José de Castro às 22h24
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ANO NOVO SEGUNDO CARLOS DRUMMOND
Receita de Ano Novo Carlos Drummond
Para você ganhar belíssimo Ano Novo, cor do arco-íris, ou da cor da sua paz;
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido); Para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
Novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior); Novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha; Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita;
Não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?);
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta; Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas;
Nem parvamente acreditar que, por decreto de esperança, a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo,
eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Escrito por José de Castro às 07h56
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MENSAGEM DE ANO NOVO SEGUNDO PABLO CAPISTRANO
"Que esse ano seja leve. Que aumentem os pedaços de poesia espalhados pelo mundo, e que, com esses pedaços se faça uma imensa colcha de retalhos estéticos que possam nos esquentar nos dias, em que o tédio e o peso do mundo, ameacem esmagar nossas esperanças. Que esse ano seja leve e que se passe rápido o que não presta e lento o que engrandece. Que mais janelas sejam abertas, que mais portas sejam destrancadas para que o vento possa entrar. Que as pessoas aprendam a gostar da superfície sem ter medo do mergulho. Que possam sentir o modo certo de se entrar e se sair dos problemas banais que elas mesmas inventaram para poder matar o tempo. Que se consumam menos coisas ridículas e perigosas e que se dediquem mais horas ao ócio. Que se coma mais e melhor. Que se beba muito. Que se faça, sem culpa ou pudor, muito sexo. E que o sexo seja um exercício de deslocamento e não um ato mecânico de reprodução. Que se alivie a ansiedade de quem está vivo e ajude-se a suportar a dor de quem está morrendo. Que se ouça mais música. Que se vejam mais cores. Que se respire melhor e se emitam, do profundo dos corpos dos homens, sons mais agradáveis e inusitados. Que se supere os bloqueios biológicos do corpo e que se use o corpo para abrir as portas da mente, não para calar a imaginação dos homens e submete-los ao simplesmente orgânico. Que possamos olhar para Deus sem ficarmos cegos e que, no meio das tragédias humanas, possa-se observar o movimento do acaso e não se assustar com isso. Que aja mais desapego e menos peso nas prisões de nossos desejos. Que continuem a existir mais e mais coisas irrealizáveis e etéreas, para não acostumar os humanos a suportar uma vida sem sonhos. Que se escrevam mais cartas, bilhetes, poemas, artigos, contos. Que se fale aquilo que se pensa e que se pense mais e melhor. Que o fio da história não seja partido pelo pavor dos covardes e pelo urro afoito e autoritário dos imbecis. Que possamos ser mais ridículos sem temer a gargalhada alheia e mais sofisticados sem nos sentirmos inconvenientes. Que o ano seja leve e translúcido, tão leve e tão translúcido que possa atravessar os poros de nossa pele sem deixar marcas nem abscessos purulentos. Que possamos aprender a encarar nossos espelhos, sem medo da gordura, da fraqueza ou da feiúra. Que possamos cuidar de cada dia como de um poema. Que possamos aceitar aquilo que não tem volta e fazer girar o que pode ser mudado. Aprender a negociar com o acaso, a olhar o tempo sem querer doma-lo. Aprender a sorver a seiva do mundo sem querer guarda-la dentro dos bolsos ou em nossas contas bancárias. Que o ano seja leve e eterno, como eterno e sem fim é o agora. Como amplo e sem fim é o horizonte do mar. Que seja eterno em seu momento, mas que passe rápido, para que a eternidade não nos sufoque com seu peso assustador e para que a roda do tempo possa completar seu giro, sem os empecilhos de nossos medos e de nossas fragilidades. Que esse ano nos seja belo e misterioso, e que sua beleza e seu mistério possam nos fazer caminhar pela vida sem que afastemos de nós mesmos o que é a vida. Porque quando ela acaba, tal como o ano que escapa, só fica a beleza e o mistério, o resto, esvaece."
Pablo Capistrano Escritor, professor de filosofia pcapistrano@hotmail.com
Escrito por José de Castro às 07h44
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POEMA DE ANO NOVO
O poeta e escritor Elias José também nos fala sobre o ano vindouro:
ANO NOVO
É preciso, ano a ano,
refazer sonhos, sons e cores.
Retirar do sol luz e calor,
ligar os sentidos na rosa,
rebatizar-se em água de bica,
soltar-se na brisa brincalhona,
recontar e voar muitas histórias,
decifrar as mais secretas linguagens,
driblar os ritmos impostos pela vida
e brincar e brigar feito um menino.
É preciso, ano a ano,
recuperar os restos e rastros da febre,
para dinamizar o mundo,
para preservar os amigos,
para satisfazer os desejos,
para acariciar mais o amor,
para embalar e ninar a cria,
para encontrar o nosso ego,
para enganar a ação do tempo,
para não deixar a vida murchar.
(Elias José, autor de "O jogo da fantasia", prêmio Odylo Costa, Filho - melhor livro de poesia FNLIJ, 2001, dentre outros livros gostosos de poema e prosa para crianças - e para todas as idades também!)
Escrito por José de Castro às 07h26
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POEMA DE NATAL
Recebi dois poemas do escritor Elias José (um de Natal e outro de Ano Novo) e também a sua autorização para publicá-los aqui no Balaio Literário. Aproveitem.
DEUS HOMEM
Aquele que na cruz por amor morreu continua vivo entre os homens. Continua vivo não porque é Deus, mas porque de sonhos viveu e morreu.
Aquele que ressuscitou
entre os mortos
e se fez luz
e dura
tinha todas as certezas
do adulto
mas retinha todas as ilusões
do menino.
Só ressuscitou porque a dor
da morte
não conseguiu domar
a fé
no homem
e na vida.
(Elias José, autor de "A cidade que perdeu o seu mar", ilust. de Marilda Castanha, Paulus, 1998, dentre outros livros saborosos...)
Escrito por José de Castro às 07h21
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