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A JORNADA CONTINUA
De repente, o despenhadeiro.
Como encarar o medonho precipício?
Mas não havia nenhum atalho.
O caminho passava somente por ali.
Era prosseguir ou retroceder.
A coragem pulsou mais forte que o medo.
Qual pássaro sem asas arremessou-se no vazio, em direção ao nada absoluto.
Na queda livre, o frio na espinha.
E a brisa. Somente a brisa.
Aparou-lhe a queda um mar de pétalas de rosas.
Rosas perfumando-lhe a sensação de liberdade infinita.
Ninguém havia lhe dito que seria assim.
Apenas a confiança e a fé inabalável fizeram-no alcançar aquela graça.
Sentiu-se um anjo renascido de esperança.
Mas a jornada teria que prosseguir.
A maciez e o conforto das pétalas teriam que ficar para trás.
Inebriado de perfume e paz, ergueu-se e retomou a jornada.
Sentia-se cada vez mais longe, cada vez mais perto.
De quê? Não importa.
O caminho, novamente o caminho.
Escrito por José de Castro às 19h20
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MEDITAÇÃO
A VIAGEM
O caminho, a paisagem,
as cores,
os cheiros, os sons.
O cascalho, a relva,
o regato,
o perfume das manhãs.
O orvalho, as folhas,
o sol, as sombras,
o calor do meio-dia.
A brisa, o entardecer,
os pássaros, a lua,
as estrelas, o frio.
O nascente, o zênite, o poente,
o ciclo, o processo,
horizonte e horizontes.
Em frente,
sempre em frente,
o caminho.
Mais adiante,
além de tudo, o silêncio.
Escrito por José de Castro às 23h37
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