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O que é isto?
Balaio Literário
 

HISTORINHA ODONTOLÓGICA

 

A boca da noite

estava com milhões de dentes cariados.

Aí, a anjinha Harobed

veio e começou a restaurá-los um por um.

Depois de séculos de trabalho

(na verdade foi só um minuto)

os dentes ficaram perfeitos.

Aí, então, a boca da noite

abriu um enorme sorriso de ouro

em milhares de estrelas brilhando no céu.

 

(criação de José de Castro em SET. 91)

 



 Escrito por José de Castro às 18h33 [] [envie esta mensagem]



A VOZ DO SILÊNCIO

 

Ouço a voz do silêncio

feito um murmúrio distante

de águas cachoeirando.

 

Esse mesmo silêncio veste-se de brisa fresca

por sobre os montes, passeando pelos vales

e acariciando as folhagens com dedos invisíveis.

 

O silêncio me preenche com a sua voz de formiga.

A mesma voz que sussurra

ao ouvido da flor o mistério de se abrir.

 

Ele vem me contar em segredo

o brilho do orvalho

prateando de surpresas a face das manhãs.

 

A quietude do momento inaugura uma paz antiga,

como o afago das lembranças guardadas em prateleiras limpas,

isentas de angústia e medo.

 

O silêncio agora é uma ânfora de ouro e prata

vertendo o néctar sagrado do Infinito

no cálice de cristal do tempo, onde almas extasiadas bebem Luz.

 

Ancoro-me e ao mesmo tempo

deito velas ao vento

nesse mar de paz profunda.



 Escrito por José de Castro às 15h10 [] [envie esta mensagem]



FALANDO DE BIENAL

 

Qualquer pessoa normal deverá achar estranho que Natal tenha sido palco de três BIENAIS NACIONAIS num curto espaço de tempo. Mas foi exatamente o que aconteceu: uma bienal em 2002, outra em 2003 e mais outra em 2005. Acontece que os organizadores do evento perceberam que no centro-sul as bienais ocorriam sempre em anos pares. Aí, como haviam feito uma em 2002, resolveram acertar o calendário e fazer uma nova bienal em 2003 e, a partir daí, deixá-las acontecer regularmente a cada dois anos ímpares. Em cada uma das bienais tive a oportunidade de lançar um livro diferente, tendo sido dois infantis e um para adultos.

 

 

Na primeira BIENAL NACIONAL DO LIVRO DE NATAL, em 2002, lancei o meu primeiro livro infantil: A MARRECA DE REBECA E OUTROS POEMAS, pela editora Paulus – SP, com ilustrações do também mineiro ELIARDO FRANÇA.

 

Aliás, a história da escolha desse ilustrador é bem interessante. Eu havia convidado a MARILDA CASTANHA (a quem conhecia por ela ter vindo ministrar um curso de ilustração de livros, em Natal, em 2001) para fazer os desenhos da Marreca. Acontece que ela acabou engravidando naquela época e, além do mais, estava cheia de compromissos. Aí passei a pensar no ROGER MELLO (a quem havia conhecido também em circunstâncias parecidas, devido à minha participação como colaborador do PROLER – Programa de Nacional de Incentivo à Leitura). O Roger Mello, além de ilustrador, também cria histórias, inclusive, tem alguns livros sem texto, só figurativos. Mas o Roger também estava com a agenda lotada e não pode aceitar o trabalho. Aí o Jakson Alencar, um dos coordenadores editoriais da Paulus, ligou para mim e me perguntou: - E se o ilustrador fosse o ELIARDO FRANÇA, você aceitaria? Minha resposta na hora foi: CLARO, LÓGICO, EVIDENTE!!! Eu havia conhecido também o Eliardo França aqui em Natal, quando ele havia vindo fazer o lançamento do livro CLAVE DE LUA, com poemas do Léo Cunha, que ele havia ilustrado (edições Paulinas). O resultado do trabalho de ilustração do livro A Marreca de Rebeca foi fantástico, com o Elliardo conseguindo fazer uma verdadeira obra de arte que encanta e fascina a todos, crianças e adultos.

 

Decorridos três anos do lançamento, a MARRECA segue o seu “plano de vôo”, já em segunda edição. A primeira edição teve uma tiragem de 4 mil exemplares e a segunda, 2 mil. A Secretaria de Educação do Estado do RN comprou perto de 400 exemplares do livro e o distribuiu na sua rede de bibliotecas escolares do Ensino Fundamental. A Marreca foi adotada por diversas escolas particulares, incluindo séries de alfabetização e também terceiras séries do Ensino Fundamental.

 

É muito gratificante quando sou convidado a ir visitar as escolas e autografar os livros da criançada. Fico muito feliz em ver que o trabalho está produzindo frutos, inclusive estimulando os alunos a criar seus próprios poemas. Tem um post aqui no Balaio Literário onde publico uma série de produções dos alunos do Colégio Executivo de Natal, com poemas singelos, inspirados no Marreca de Rebeca.

 

O meu amigo Guido Heleno (escritor e poeta goiano, que vive em Brasília) sabe muito bem acerca do tipo de emoção a que estou me referindo, pois ele também escreve para crianças e, do mesmo modo, costuma visitar as escolas para falar do seu trabalho.

 

Num próximo post falarei dos outros livros que lancei.  



 Escrito por José de Castro às 21h06 [] [envie esta mensagem]



POEMA

A ÚLTIMA FLOR QUE AINDA NÃO FOI PLANTADA

GERMINARÁ NO SOLO DO CORAÇÃO PURO

E DA ALMA INGÊNUA

QUE OLHAR PARA O MUNDO

COM OLHOS DE PRIMEIRA VEZ.  

 



 Escrito por José de Castro às 14h22 [] [envie esta mensagem]



POEMA

A tarde como um barco,

marola preguiçosa

nas ondas de mim mesmo.

Navegar os riscos da existência

sem nunca perder a esperança

do porto-destino.

Rema rema remador

que a dor de remar

é a mesma de existir.

 



 Escrito por José de Castro às 14h16 [] [envie esta mensagem]



INFORMAÇÕES LITERÁRIAS

Nesse intervalo de tempo em que estive "fora do ar",

lancei mais um livro na BIENAL NACIONAL DO LIVRO DE NATAL.

Mais um livro infanto-juvenil, porém indicado para todas as idades.

O MUNDO EM MINHAS MÃOS.

Trata-se de um poema ecológico em defesa do PLANETA TERRA.

Eu fiquei impressionado com a velocidade da EDITORA BAGAÇO, de Pernambuco.

No espaço de um mês eles receberam os originais e providenciaram as ilustrações e a impressão.

O livro ficou superbonito, com ilustrações atraentes.

O interessante é que o livro chegou exatamente no dia do lançamento, um pouco antes da palestra que fiz para

os visitantes da BIENAL, no dia 10 de junho de 2005.

Foi pena que as visitas das crianças em idade escolar eram muito rápidas e o público bem flutuante.

As crianças nem bem sentavam nas cadeiras e as professoras já as retiravam para outras atividades.

Noutro post eu falarei um pouco mais acerca da Bienal.

E também sobre meus novos livros que já estão no prelo.

Até.

 

 



 Escrito por José de Castro às 18h09 [] [envie esta mensagem]



HAI-CAIS

HAI-CAIS EM 7 TEMPOS

I

O pôr-de-sol encabulado

matiza o horizonte

de tons rosa-dourado.

II

O brilho da lua inebria

a nuvem solitária

se vestindo de luz e poesia.

 

III

Os grilos da madrugada

ecoam o silêncio

de estrelas tangendo o nada.

 

IV

As pétalas do dia

se abrem

ao perfume da hora fugidia.

 

V

As borboletas do tempo

se eternizam

no vôo do efêmero momento.

 

VI

Um arco iridescente

se derrama em cores

de eterno presente.

 

VII

No infinito azul, em nuvens do além,

velam os anjos

acima do mal e do bem.

 

 



 Escrito por José de Castro às 17h58 [] [envie esta mensagem]



LONGO INVERNO

Depois de um longo e não tenebroso inverno

eis-me de volta aqui.

Não me perguntem onde estive e nem o que estive fazendo.

O tempo é uma mera abstração.

Um segundo pode valer uma eternidade.

E um século pode durar apenas um lampejo da mente do Universo.

O importante é estar aqui de volta.

Registrando impressões do momento.

É isso aí.

 



 Escrito por José de Castro às 17h52 [] [envie esta mensagem]




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