Escrito por José de Castro às 18h33
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A VOZ DO SILÊNCIO
Ouço a voz do silêncio
feito um murmúrio distante
de águas cachoeirando.
Esse mesmo silêncio veste-se de brisa fresca
por sobre os montes, passeando pelos vales
e acariciando as folhagens com dedos invisíveis.
O silêncio me preenche com a sua voz de formiga.
A mesma voz que sussurra
ao ouvido da flor o mistério de se abrir.
Ele vem me contar em segredo
o brilho do orvalho
prateando de surpresas a face das manhãs.
A quietude do momento inaugura uma paz antiga,
como o afago das lembranças guardadas em prateleiras limpas,
isentas de angústia e medo.
O silêncio agora é uma ânfora de ouro e prata
vertendo o néctar sagrado do Infinito
no cálice de cristal do tempo, onde almas extasiadas bebem Luz.
Ancoro-me e ao mesmo tempo
deito velas ao vento
nesse mar de paz profunda.
Escrito por José de Castro às 15h10
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FALANDO DE BIENAL
Qualquer pessoa normal deverá achar estranho que Natal tenha sido palco de três BIENAIS NACIONAIS num curto espaço de tempo. Mas foi exatamente o que aconteceu: uma bienal em 2002, outra em 2003 e mais outra em 2005. Acontece que os organizadores do evento perceberam que no centro-sul as bienais ocorriam sempre em anos pares. Aí, como haviam feito uma em 2002, resolveram acertar o calendário e fazer uma nova bienal em 2003 e, a partir daí, deixá-las acontecer regularmente a cada dois anos ímpares. Em cada uma das bienais tive a oportunidade de lançar um livro diferente, tendo sido dois infantis e um para adultos.
Na primeira BIENAL NACIONAL DO LIVRO DE NATAL, em 2002, lancei o meu primeiro livro infantil: A MARRECA DE REBECA E OUTROS POEMAS, pela editora Paulus – SP, com ilustrações do também mineiro ELIARDO FRANÇA.
Aliás, a história da escolha desse ilustrador é bem interessante. Eu havia convidado a MARILDA CASTANHA (a quem conhecia por ela ter vindo ministrar um curso de ilustração de livros, em Natal, em 2001) para fazer os desenhos da Marreca. Acontece que ela acabou engravidando naquela época e, além do mais, estava cheia de compromissos. Aí passei a pensar no ROGER MELLO (a quem havia conhecido também em circunstâncias parecidas, devido à minha participação como colaborador do PROLER – Programa de Nacional de Incentivo à Leitura). O Roger Mello, além de ilustrador, também cria histórias, inclusive, tem alguns livros sem texto, só figurativos. Mas o Roger também estava com a agenda lotada e não pode aceitar o trabalho. Aí o Jakson Alencar, um dos coordenadores editoriais da Paulus, ligou para mim e me perguntou: - E se o ilustrador fosse o ELIARDO FRANÇA, você aceitaria? Minha resposta na hora foi: CLARO, LÓGICO, EVIDENTE!!! Eu havia conhecido também o Eliardo França aqui em Natal, quando ele havia vindo fazer o lançamento do livro CLAVE DE LUA, com poemas do Léo Cunha, que ele havia ilustrado (edições Paulinas). O resultado do trabalho de ilustração do livro A Marreca de Rebeca foi fantástico, com o Elliardo conseguindo fazer uma verdadeira obra de arte que encanta e fascina a todos, crianças e adultos.
Decorridos três anos do lançamento, a MARRECA segue o seu “plano de vôo”, já em segunda edição. A primeira edição teve uma tiragem de 4 mil exemplares e a segunda, 2 mil. A Secretaria de Educação do Estado do RN comprou perto de 400 exemplares do livro e o distribuiu na sua rede de bibliotecas escolares do Ensino Fundamental. A Marreca foi adotada por diversas escolas particulares, incluindo séries de alfabetização e também terceiras séries do Ensino Fundamental.
É muito gratificante quando sou convidado a ir visitar as escolas e autografar os livros da criançada. Fico muito feliz em ver que o trabalho está produzindo frutos, inclusive estimulando os alunos a criar seus próprios poemas. Tem um post aqui no Balaio Literário onde publico uma série de produções dos alunos do Colégio Executivo de Natal, com poemas singelos, inspirados no Marreca de Rebeca.
O meu amigo Guido Heleno (escritor e poeta goiano, que vive em Brasília) sabe muito bem acerca do tipo de emoção a que estou me referindo, pois ele também escreve para crianças e, do mesmo modo, costuma visitar as escolas para falar do seu trabalho.
Num próximo post falarei dos outros livros que lancei.
Escrito por José de Castro às 21h06
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POEMA
A ÚLTIMA FLOR QUE AINDA NÃO FOI PLANTADA
GERMINARÁ NO SOLO DO CORAÇÃO PURO
E DA ALMA INGÊNUA
QUE OLHAR PARA O MUNDO
COM OLHOS DE PRIMEIRA VEZ.
Escrito por José de Castro às 14h22
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POEMA
A tarde como um barco,
marola preguiçosa
nas ondas de mim mesmo.
Navegar os riscos da existência
sem nunca perder a esperança
do porto-destino.
Rema rema remador
que a dor de remar
é a mesma de existir.
Escrito por José de Castro às 14h16
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INFORMAÇÕES LITERÁRIAS
Nesse intervalo de tempo em que estive "fora do ar",
lancei mais um livro na BIENAL NACIONAL DO LIVRO DE NATAL.
Mais um livro infanto-juvenil, porém indicado para todas as idades.
O MUNDO EM MINHAS MÃOS.
Trata-se de um poema ecológico em defesa do PLANETA TERRA.
Eu fiquei impressionado com a velocidade da EDITORA BAGAÇO, de Pernambuco.
No espaço de um mês eles receberam os originais e providenciaram as ilustrações e a impressão.
O livro ficou superbonito, com ilustrações atraentes.
O interessante é que o livro chegou exatamente no dia do lançamento, um pouco antes da palestra que fiz para
os visitantes da BIENAL, no dia 10 de junho de 2005.
Foi pena que as visitas das crianças em idade escolar eram muito rápidas e o público bem flutuante.
As crianças nem bem sentavam nas cadeiras e as professoras já as retiravam para outras atividades.
Noutro post eu falarei um pouco mais acerca da Bienal.
E também sobre meus novos livros que já estão no prelo.
Até.
Escrito por José de Castro às 18h09
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HAI-CAIS
HAI-CAIS EM 7 TEMPOS
I
O pôr-de-sol encabulado
matiza o horizonte
de tons rosa-dourado.
II
O brilho da lua inebria
a nuvem solitária
se vestindo de luz e poesia.
III
Os grilos da madrugada
ecoam o silêncio
de estrelas tangendo o nada.
IV
As pétalas do dia
se abrem
ao perfume da hora fugidia.
V
As borboletas do tempo
se eternizam
no vôo do efêmero momento.
VI
Um arco iridescente
se derrama em cores
de eterno presente.
VII
No infinito azul, em nuvens do além,
velam os anjos
acima do mal e do bem.
Escrito por José de Castro às 17h58
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LONGO INVERNO
Depois de um longo e não tenebroso inverno
eis-me de volta aqui.
Não me perguntem onde estive e nem o que estive fazendo.
O tempo é uma mera abstração.
Um segundo pode valer uma eternidade.
E um século pode durar apenas um lampejo da mente do Universo.
O importante é estar aqui de volta.
Registrando impressões do momento.
É isso aí.
Escrito por José de Castro às 17h52
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